Túlio

Imagine um branquelo baixinho, troncudo, bigodudo, costeletas compridas e ar sedutor. Ou melhor: imagine um personagem de filme dos anos setenta. Pronto, você já viu o Túlio. Cabelos crespos, enroladinhos. E ele se veste como quem acabou de sair da Hippopotamus ou da Papagaio, lendárias discotecas de São Paulo e do Rio, ou do Studio 54, boate descoladíssima que sacudiu e enlouqueceu as noites de Nova York, no embalo de músicas cantadas por estrelas como Donna Summer, Diana Ross, Grace Jones e grupos incríveis como Bee Gees, KC and The Sunshine Band, Earth Wind and Fire, Sister Sledge e outros ícones da época.

Quando uma dessas músicas vêm à minha mente, assim do nada, sei que é o Túlio se aproximando, com seus passos e seu sorriso. Ele adora chegar fazendo passinhos iguais aos de John Travolta no filme Os embalos de sábado à noite, sempre alegre, bem humorado; conforme sacode os braços e gira o corpo, Túlio vai destruindo as energias tóxicas ao seu redor (e ao meu também, ainda bem!), com graça e elegância, transformando positivamente o ambiente. É por esse motivo que gosto tanto de música disco. Túlio é o culpado!

Túlio era historiador, filósofo e adorava fazer piada sobre tudo. Nasceu em Porto Alegre, fez faculdade em São Paulo, formou-se em História, emendou Filosofia, mas seu lance sempre foi a escrita. Na época do desbunde, mudou-se para o Rio de Janeiro, instalou-se no bairro de Santa Teresa, conheceu uma mulata, a roda de samba, a umbanda, tentou publicar um livro de contos, não obteve sucesso.

A mulata foi embora, a umbanda e a filosofia não se bicavam na cabeça dele e largou tudo, inclusive a vontade de viver. Foi secando de desgosto e o coração de Túlio deu um piripaque; morreu em meados de 1977, aos 38 anos de idade. No astral, recuperou o gosto pela vida quando percebeu ser eterna; sacou que filosofia e umbanda podiam dar caldo sim; passou a ter outras interpretações acerca da história da humanidade e, revigorado, abraçou com paixão a escrita. Continuou fazendo piada e gamou numa morena. Sossegou o facho e está com ela até hoje, feliz da vida.

Atualmente, Túlio trabalha na equipe do Marco Aurélio e, quando preciso de inspiração para um artigo mais bem humorado, de humor bem rasgado ou ácido, Túlio vem na maior boa vontade e me dá aquela força!

Pra variar, Túlio é um baixinho enfezado, como todo baixinho que se preze, mas tem uma grandiosidade de alma, um refinamento de humor e uma sutileza de inteligência que me surpreendem a cada contato. No fundo, é um grande amigo, que me injeta doses cavalares de alegria e humor na veia e na alma, principalmente nos momentos difíceis, me ajudando a não deixar a peteca cair. Jamais. É por essas e por muitas outras que eu adoro esse moço!

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