Minha História

Nasci no bairro do Ipiranga, em São Paulo, em uma família católica. Estudei em colégio de padres, fui batizado na Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida, fiz o catecismo.

Só que, aos sete anos de idade, comecei a ver os mortos e conversar com eles. Havia três alternativas para meus pais: eles podiam me internar num sanatório, tentar o exorcismo — o filme O Exorcista estava fazendo tremendo sucesso nos cinemas e pesava seriamente na decisão —, ou me levar a um centro espírita, segundo dica de uma vizinha benzedeira.

Minha mãe, dona Rute, escolheu a terceira alternativa, a da vizinha, dona Augusta. Ainda bem. Porque eu já me via algemado na cama, dobrando o pescoço, descendo as escadas de quatro, aquela loucura toda igual à menina do filme.

A dona Augusta explicara à minha mãe que um morto nada mais era que um espírito, segundo os ensinamentos do Espiritismo. Mamãe só tinha tido uma vaga ideia do tema por conta de ter assitido de relance o Chico Xavier num programa na TV Tupi uns três anos antes, o Pinga-Fogo, em que ele falara abertamente sobre o assunto. Contudo, como mamãe não tinha conhecimento suficiente, tudo era fantasioso demais. Até que aconteceu lá em casa, comigo...

Assim, toda cheia de medo, insegura, minha mãe me pegou pela mão e fomos até o centro espírita, que ficava a umas quatro quadras de casa.

Antigamente, em meados dos anos 1970, a ideia que se tinha de centro espírita era bem mais preconceituosa da que se tem nos dias de hoje. Minha mãe achava que estávamos indo para um local de rituais ligados à magia negra, a sacrifícios de animais, coisas do tipo. Mas, quando chegou ali, naquele sobradinho de dois andares, paredes na cor bege e grades verdes, ficou mais calma. Demos de cara com um grupo de senhorinhas voluntárias, simpáticas, que falavam baixinho e estavam sempre sorrindo. Minha mãe gostou, e eu também, porque, logo na entrada, vi dois espíritos guardiões que me deram as boas-vindas. O centro se chamava Centro de Desenvolvimento Espiritual Os Caminheiros, fundado pelo casal Aldo Luiz e Zibia Milani Gasparetto.

Eu tinha sete anos de idade. Fiz um tratamento rápido de passes, mamãe recebeu orientações básicas sobre mediunidade e lembro que, na saída, ganhamos um exemplar de O Livro dos Espíritos e outro de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Minha mãe e mais duas amigas começaram a ler e a se interessar pelo assunto. Alguns meses depois, tudo se acalmou, nossa vida voltou ao normal, e eu parei de ver espíritos. E mamãe parou de me levar ao centro.

Em 1979, aos doze anos, tudo voltou, ainda mais forte. Além de ver e conversar com os espíritos de familiares mortos, também passei a ver espíritos perturbados que se aproximavam de mim para me atazanar, e o teor de seus pensamentos me deixavam mal. Eu não sabia lidar com essas energias desagradáveis. Minha mãe, dessa vez, não pensou duas vezes: levou-me direto para Os Caminheiros.

Começou ali um grande aprendizado que mudaria minha vida de maneira definitiva. Comecei a estudar na escolinha de médiuns, me ofereci para trabalhar na recepção como atendente, depois como conselheiro, ministrei passes, fui doutrinador e médium de incorporação, ou seja, coloquei em prática tudo o que lia e aprendia nos outros cursos oferecidos pelo centro; estudei toda a obra de Allan Kardec e lia os romances de Zibia Gasparetto conforme eram publicados.

Em 1980, seu Aldo Luiz morreu (desencarnou, segundo a linguagem espírita), e na sequência, seu filho Luiz Antônio voltou dos Estados Unidos, onde havia feito pesquisas e estudos ligados à espiritualidade e paranormalidade; Luiz também tivera contato com o xamanismo e com as ideias de transformação do pensamento e modificação da consciência por meio de afirmações positivas, difundidas por Louise L. Hay, até hoje uma das maiores orientadoras espirituais de todos os tempos. Aquilo era tão mágico e transformador, que logo as palestras do centro começaram a ter um quê de espiritismo com pitadas de metafísica e filosofia, e outros mentores vieram para nos trazer ensinamentos preciosos para uma melhor compreensão da vida e da morte. A volta de Luiz para o Brasil e para Os Caminheiros foi um marco divisor tanto para o centro espírita, que se tornava mais espiritualista do que espírita, quanto para mim.

Os guias espirituais vinham conversar comigo, davam-me orientações, dicas, conselhos, indicavam-me livros de estudos e, dentro desse ambiente repleto de informação, alegria, paz e harmonia, descobri que a mediunidade é uma qualidade humana das mais preciosas. E o centro passou a ser a minha segunda casa.

Com o passar dos anos, abri a consciência para compreender e aceitar outras verdades espirituais. Viajei o mundo, tive contato com correntes filosóficas e espiritualistas que estudam a reencarnação, conheci de perto o trabalho de Louise Hay.

Até os dias de hoje, aprendo muito nos cursos e palestras de Luiz Gasparetto, um verdadeiro mestre, dotado de uma sensibilidade e inteligência fora do comum, que me ajuda cada vez mais a quebrar uma série de tabus e preconceitos relacionados à espiritualidade.

Também aprendi a ter valor, a ser útil, criativo, e me tornei um homem de bem. Os espíritos me mostraram e continuam me mostrando que a realidade é muito mais ampla e significativa do que eu sonhava imaginar.

Sou formado em contabilidade e administração de empresas pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, tradicional escola de São Paulo. Segui carreira na área contábil-financeira por vinte anos; há mais de dez anos atuo como editor de conteúdo em uma editora da capital, além de escrever meus romances em parceria com meu mentor Marco Aurélio. Mais detalhes sobre esta parceria e nossa obra estão à disposição na aba dos livros.

Creio que, se chegou até aqui, já deu para conhecer um pouco mais sobre mim, saber como iniciei o contato com o mundo espiritual e perceber que sou tão humano quanto você. No fim das contas, essa história que acabei de relatar nos torna mais próximos e, naturalmente, mais amigos!

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